Quem são os 144 mil selados do Apocalipse?

12/03/2021

O chamado "Grupo dos cento e quarenta e quatro mil", descrito em Apocalipse 14 possui uma atração incrível e encantadora aos olhos de inúmeros cristãos e teólogos ao redor do mundo. Sua identidade e período em que viverão parece um enigma, que muitos buscam desvendar com a própria alma. Na tentativa de descobrir algo novo e poder ser o dono da verdade final.

 Muitos estudiosos e mesmo alguns leigos chegaram a desenvolver inúmeros sermões, livros e diversos artigos na tentativa de alocar esse grupo em algum lugar do tempo perto do fim e um pouco antes da volta de Jesus a este mundo.

Entretanto, muitas pessoas ainda hoje não possuem um conhecimento satisfatório e muito menos um exato parecer acerca deste assunto. Estudiosos e leigos tentam inventar teorias na ânsia de fazer uma descoberta especial e ser o dominador das últimas verdades para a existência do mundo e a volta de Jesus. Mas, parece que quanto mais procuram o conhecimento neste assunto mais distante o mesmo parece estar.

O que realmente a Bíblia diz sobre esse grupo de pessoas (os 144 mil) que estarão vivos e selados no momento da volta de Jesus e que não passarão pela morte? E o que realmente podemos compreender diante das informações bíblicas disponíveis para nós? 

Apocalipse 14:1-5 nos apresenta uma estrutura proléptica (de prolepse que significa: previsão de algo ainda não conhecido ou acontecido; antevisão, prenoção), onde se encontra descrito um grupo de pessoas chamado de "os 144 mil" vivos e selados no momento da volta de Jesus.

Em seguida (Apocalipse 14:6-12), encontramos as três mensagens angélicas "lembrando que é no final deste período que podemos alocar a origem desse grupo". Esses dois acontecimentos: as mensagens e a formação do grupo chamado de "cento e quarenta e quatro mil", ocorrem no tempo do fim (fim do mundo); algum tempo antes da volta de Jesus.

A questão claramente apresentada em Apocalipse 14:6-12 se inicia com a mensagem dos três anjos. É a partir daí e nesse contexto, próximo do fim do mundo, surge o grupo dos 144 mil (imortais).

O apóstolo João descreve (no capítulo 7 de Apocalipse) um grupo de 144 mil pessoas que foram retiradas das 12 tribos de Israel e seladas. Isso devido ao fato de essas pessoas haverem sido fiéis e leais a Deus mesmo diante dos perigos dos últimos dias. E Deus as protegerá até o final dos dias, da apostasia e da perseguição. Já no capitulo 14 de Apocalipse é descrito que esse grupo, os 144 mil, se encontra em pé com Jesus no Monte Sião.

Compreendemos esse grupo como o povo perseguido e condenado por causa da sua lealdade para com Deus e em lugar da marca da Besta trazem na fronte o nome do Cordeiro.

Pertencem a Deus. E foram redimidos de entre toda a humanidade da terra; e o cântico de vitória que eles entoam diante do trono ninguém pode cantar. Deus os comprou. Eles não "se contaminaram com mulheres". (Mulheres simbolizam as muitas igrejas apostatadas pelo mundo). Foram leais a Deus e não se envolveram com ideias e teorias religiosas falsas. Por isso, em sua boca não se achou dolo ou engano.

Tanto no capitulo 7 como no capitulo 14 de Apocalipse, temos a ideia muito clara de que esse grupo de pessoas (144 mil) é um povo presente no tempo do fim. Que diante das calamidades que assolam toda a terra permanecem firmes e leais a Deus. Diante da pergunta de Apocalipse 6:17: "Quem poderá subsistir?" A resposta vem do capitulo 7:1- 8. "Os selados pelos anjos de Deus".

Eles, os 144 mil, são um grupo de pessoas, formado de todas as tribos de Israel, selado e protegido por Deus da apostasia e da perseguição final, por haver escolhido permanecer fiel, leal, servindo a Deus e realizando Sua vontade na terra.

Dentro do contexto do capítulo 12 de Apocalipse, os 144 mil "aparecem como a última geração dos verdadeiros adoradores de Deus (verso 7), que "guardam os mandamentos de Deus e a fé de Jesus" (verso 12), em contraste com aqueles que adoram "a besta e a sua imagem" e recebem "a sua marca na fronte ou sobre a mão" (versos 9- 11). 

Quando, em Apocalipse 7:1-8, encontramos que os 144 mil são formados das 12 tribos de Israel, nos vemos também diante do problema em que a distinção destas tribos se torna impossível nos dias de hoje. Entretanto, alguns grupos de comentaristas sugerem que os 144 mil serão tirados dos judeus tendo um cumprimento literal desta profecia. 

"Essa interpretação carece, no entanto, de base bíblica e de fundamentação histórica". Primeiro, as tribos mencionadas em Apocalipse 7:1-8 não são exatamente as mesmas que aparecem na promessa de Ezequiel 48:1-8, 23-29. E outro detalhe importante tanto como cômico a ser cuidadosamente considerado é que: Se interpretássemos de modo literal (como alguns comentaristas desejam) o número dos 144 mil de Apocalipse, deveríamos compreender que: "Seriam apenas judeus cristãos do sexo masculino que nunca foram casados". Conclusão essa que deve ser considerada ridícula.

Segundo, (ver também Gn 49:1-28); (2) seria praticamente impossível reunir hoje "doze mil pessoas de cada tribo, uma vez que as distinções tribais desapareceram devido à deportação compulsória e miscigenação das tribos do Norte (ver II Rs 17).

Segundo Paroschi,

No Apocalipse, "mulher" é um termo simbólico (cf. 12:1-6, 13-17; 17:1-8), como o é "Cordeiro" (cf. 5:1-14; 6:1, 7, 12, 16; 8:1; etc.). Portanto, o número 144 mil - 12 x 12 x 1.000 - também deve ser tido como simbólico, e seu significado seria a plenitude do povo de Deus no tempo do fim. A referência às tribos de Israel também reforça essa interpretação. Além do fato de a tribo de Dã estar ausente da lista e a de Manassés tecnicamente ser parte da tribo de José (note que Efraim, irmão de Manassés e filho de José, não é citado), a maior parte das tribos já não existe. Além disso, no Novo Testamento, "Israel" é utilizado simbolicamente como referência à igreja cristã (Rm 2:28, 29; Gl 6:16). 

Terceiro, o Apóstolo Paulo, na epístola aos Gálatas (3:26-29), desfaz em absoluto qualquer distinção étnica. Portanto, a posição teológica do apóstolo Paulo relacionada a todos os cristãos como o novo Israel dos dias de hoje. Assim, somos levados a concluir que os 144 mil constituídos no período final da história da terra são formados pelo povo de Deus e descendentes de Abraão (Gl. :3:29), e compreendidos como o novo Israel de Deus.

Paulo ainda, em Romanos, enfatiza o fato de que os filhos de Deus não exatamente possuem descendência carnal com Abraão (Rm. 9:8). E o apóstolo Pedro também dá essa ênfase quando afirma que: "vós sois nação eleita" (I Pe 2:9 e 10).

Concluímos também que as doze tribos de Apocalipse 7 devem ser interpretadas simbolicamente; pois surgem de uma linhagem que não está ligada geneticamente a Abraão, mas, constituída por herdeiros de Abraão por meio de Jesus Cristo, segundo o apóstolo Paulo. Assim, o número de 144 mil que estarão vivos no momento da volta de Cristo é um número simbólico referente aos filhos de Deus que permanecerem fiéis e vivos pela ocasião da volta de Jesus.

"Os 144 mil representam a igreja de Deus no tempo do fim, aqueles que vão resistir às provações que antecedem a volta de Jesus Cristo e não provarão a morte mas que, estarão em pé com o Cordeiro sobre o monte Sião."

No capítulo 14 de Apocalipse a ênfase está na condição do tempo do fim e a tríplice mensagem angélica. O que faz de os 144 mil serem o remanescente de Deus no tempo do fim, pouco antes do momento em que o falso culto induzirá a marca da Besta a todo ser humano na face terra (Ap. 13:7-10). Lembrando que a marca da Besta será aceita por todos com exceção dos 144 mil selados (Ap. 12:17). "Portanto, não há dúvida de que os 144 mil do capítulo 14, os santos do capítulo 13 e o remanescente do capítulo 12 são um só e o mesmo grupo. Nesse caso, aquilo que é dito acerca do remanescente (12:17) e dos santos (13:10; 14:12) deve se aplicar aos 144 mil."

Concluímos que discutir sobre os 144 mil, sem o contexto devido não permitirá uma conclusão satisfatória para nenhum cristão que sonha com a chegada de Jesus Cristo a este mundo a fim de nos levar para o Céu. Mas, que ao estudarmos com a presença do Espirito Santo em nosso coração, os textos ficam claros e podemos ver claramente a composição final dos santos dos últimos dias. E certamente podemos perceber que os santos serão os 144 mil que simbolicamente se referem a todos os santos que estiverem com o nome do Cordeiro em suas frontes. E que este número de 144 mil inclui a todos quanto amam a volta de Jesus descrito em Apocalipse 12:17.

Autor Parceiro: Pr. Durlane Pedroso

Fontes:
(1) Sinais dos Tempos, julho de 1998, p. 29 (usado com permissão) WILSON PAROSCHI, doutor em Teologia, com especialização em Novo Testamento, é professor no Unasp, campus Engenheiro Coelho (SP)
(2) Tratado de Teologia: Adventista do Sétimo Dia. Ed. Raoul Dederen; Tradução: José Barbosa da Silva. Tatuí - SP: Casa Publicadora Brasileira. 2011. Paginas: 962, 963, 1095.

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