Pode alguém tirar sua própria vida? Existe salvação para um suicida?

20/02/2021

Certa vez, alguém disse com uma expressão de muita tristeza em seu semblante: - Se ele tirou sua própria vida, está perdido, não há salvação para ele! - Então, alguém que estava próximo refutou: - A vida era dele, não fez nada contra alguém, por que estaria perdido? - Aparentemente, a resposta para essa pergunta é lógica e fácil de ser respondida, pois se eu sou o "dono da minha vida" ,logo, posso fazer o que bem desejar com a mesma. Porém, quando analisamos tal questionamento à luz da Bíblia e seu contexto, a elucidação da mesma apresenta-se de forma um pouco mais complexa, porque indica o indivíduo como o mordomo, que deve cuidar da propriedade de alguém.

Para compreendermos o assunto em questão, creio ser relevante considerarmos as seguintes indagações:

De quem é a vida e quem pode tirá-la?
Partindo do pressuposto que temos poder apenas sobre aquilo que nos pertence, faz-se necessário determinar quem é o dono da nossa vida e assim conseguiremos determinar quem tem autoridade para limitá-la.

A origem da vida está descrita em Gênesis 1 e 2, especialmente no verso 7 do cap. 2, onde o doador da vida é o próprio Deus, quando Este sopra o Seu fôlego sobre um boneco de pó, que passa a ser alma vivente.

Analisando a mesma situação (da vida), porém, em circunstâncias diferentes (após a queda de Adão e Eva), encontramos os cristãos de Tessalônica sem esperança e entristecidos diante da morte de familiares e irmãos na fé, então, Paulo procura consolá-los enquanto dissipa a ignorância ao expressar em sua primeira epístola algumas orientações sobre a morte, ressurreição e segunda vinda de Cristo, deixando claro que Ele devolveria a vida aos que tivessem "adormecidos" nEle (I Ts. 4:13-18).
Em Atos 17:27-29, Paulo diz que somos a geração de Deus e é somente através dEle que vivemos, nos movemos e existimos. Davi já havia sido assertivo quando expressou poeticamente que o Senhor é quem sustenta a vida (Sl. 54:4). E o próprio Cristo disse que Ele dá a vida e a toma, conforme Sua decisão (Jo. 10:17,18).

Logo, Deus é o dono da vida de todos os indivíduos e, portanto, somente Ele pode "guardar" a vida de alguém. Assim, se não temos como gerar a vida, também não temos o direito de ceifar a mesma de outro e nem a nossa própria.

O que a Bíblia fala sobre Suicídio?
A Bíblia não descreve o suficiente para confeccionar uma doutrina sobre suicídio, mas relata a história de alguns personagens que tiraram sua própria vida e, assim, apresenta diversas facetas sobre o indivíduo e aquilo que o envolve. Quem sabe o mais lembrado seja Judas, que se enforcou após trair Jesus e vê-lo sendo preso (Mt. 27:5). É possível que no caso de Judas, o remorso/angústia devido ao pecado tenha sido sua principal razão para tal atitude.

Para Saul, que após pedir para seu escudeiro o matar e este se negar a fazer, cometeu suicídio ao lançar-se sobre a espada para morrer, e na sequência, seu escudeiro, percebendo o que Saul havia cometido, decidiu lançar-se também sobre sua espada e morreu (I Sm. 31:1-5). Pode ser que a situação vivida naquele momento causou tanto medo, que ambos decidiram aliviar um possível sofrimento maior caso os filisteus os tivessem capturado vivos.

Quando Absalão ouviu os planos de conspiração de Aitofel e Husai contra seu pai Davi, e escolheu o de Husai, Aitofel põs fim à sua vida (II Sm. 17). Nesse caso, me parece que ele não conseguiu lidar bem com as emoções ao ter sua ideia rejeitada ou quem sabe ficou com medo de retaliações posteriores.

Zinri, era comandante da metade dos carros do rei Elá de Tirza, e assumiu o reinado após conspirar contra seu rei quando este estava embriagado. Porém, o povo não aceitou tal conspiração e elegeu Onri como seu novo rei. Este por sua vez foi até Tirza para destronar Zinri, que ao perceber o que estava para acontecer, incendiou o castelo da casa do rei aonde ele mesmo estava e assim morreu ( I Rs. 16:8-18). Aparentemente, Zinri possuía um perfil psicopata, uma mente não saudável.

Quem sabe, a morte de Abimeleque poderia ser reconhecida como um tipo de "eutanásia" de nossos dias, pois após ele ser atingido na cabeça por uma pedra que uma mulher havia lançado de cima da torre, pediu para seu escudeiro que o traspassasse por espada e assim manteve sua honra ao não ser morto por uma mulher (Jz. 9:50-54). Aqui podemos perceber a influência da cultura predominante onde a figura feminina era desprezada e ser morto por uma mulher traria desonra.

De acordo com meu prisma, o caso mais curioso é o de Sansão, pois este demonstrou bastante rebeldia durante seus dias de glória e quando perdeu suas forças foi ferido e ridicularizado, como se não bastasse, ele pediu forças a Deus para poder tirar vidas, inclusive a dele. O mais intrigante é que Deus concedeu o poder solicitado e, mesmo diante de seu suicídio, ele aparece como um dos personagens descritos na galeria da fé, em Hb. 11:32.

O julgamento de Deus
O ato de julgar exige a observação sobre algo ou alguém para que então se possa emitir uma opinião ou sentença de condenação ou absolvição. Porém, todos nós somos limitados em conhecimento, mesmo aquele que é especialista em alguma área, não conhece todas as coisas. A questão fica mais difícil se considerarmos a influência do ambiente que nos envolve ou até mesmo a que circunda os que são mais próximos. Daí, surge a grande questão: Quem é digno de julgar e como o faz?

Sobre quem é digno de julgar, fica fácil descobrir quando se crê nas Escrituras, pois de a acordo com o salmista, Deus é o único digno de julgar com justiça (Sl. 98:9). Porém, para descobrir como Ele julga precisamos das seguintes considerações:

  • Deus é perfeito (II Sm. 22:31) e onisciente (I Jo. 3:20). Ou seja, Ele não erra e sabe tudo, inclusive aquilo que não dissemos a alguém ou que não fizemos ainda, mas Ele sabe se iremos fazer ou não, e quais as consequências que isso acarretará.
  • Deus é amor (I Jo. 4:8) e em Seu plano original, nós não sofreríamos, mas o pecado trouxe o sofrimento e a morte, porém, Ele promete que isso não durará para sempre, porque Deus quer nos dar vida. Jesus Cristo é o Criador e tem a capacidade de recriar a vida (Jo. 11:25,26).
  • Deus não julga por situações isoladas. Em Mt. 16:27 nos é apresentada uma cena de julgamento onde Deus retribuiu a cada filho segundo as obras realizadas, isso inclui mais do que um único momento vivido. Isso quer dizer que Ele leva em consideração o processo de amadurecimento, estrutura psíquica, emocional, física e familiar. Ele considera o que temos ou não condição de pensar e fazer, assim como a circunstância que nos envolve em cada fase da vida.

Diante do que se consegue compreender sobre o assunto explanado, ainda que não exaustivamente, não há dúvida de que não se tem o direito de tirar a vida de alguém ou a própria, já que tudo que se faz reflete de alguma forma no ambiente em que se vive, e por isso não deveríamos pensar "sou dono da minha vida, posso fazer o que bem desejar e ninguém tem nada a ver com o que faço ou deixo de fazer", por que o dono da vida é o Senhor, somos apenas mordomos da mesma. Também fica bastante evidente que Deus é o autor da vida e, portanto, Ele é o único que pode dar e recolher a vida de alguém.

Quanto ao julgamento de tudo e de todos, isso é alçada divina, pertence somente a Ele. Logo, não cabe ao ser humano julgar seu próximo, pois somente Deus é justo e amoroso, perfeito e onisciente, capaz de conhecer o individuo por completo.

Autor Parceiro: Pr. Everton Nunes

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